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sábado, 16 de março de 2013

No amanhecer de um dia de verão


Num principio de tarde de um final de verão, estava sentado em um tronco caído a pensar o quê escrever para publicar em meu blog, a cabeça fervilhando de ideias como estivera no dia anterior quando apanhando uma folha em branco começara a escrever um amontoado de frases e ideias sem que alguma me cativasse.
Ali sentado à sombra de uma árvore, deixando o pensamento evolar sem cuidado, quase que numa presensausência, quando num suave arabesco vejo um avião de papel evoluir e pousar aos meus pés.  Reconheci nesse brinquedo de papel, o aviãozinho que havia moldado no dia anterior quando se fazia tarde sem que me ocorresse ideias melhores.
Ao estender a mão para apanhá-lo, uma mão mais jovem, pegou-o quando ouvi uma voz a dizer:
-Desculpe senhor ele é meu, o encontrei caído mais ali na frente, e apesar de minha idade, decidi brincar com ele;
Levantei a cabeça e me deparei com um Jovem, pela aparência bem machucado pela vida, como me havia testemunhado sua mão um tanto rústica.
-Respondi a seguir, eu ia somente levantá-lo, pois identifiquei o avião que havia moldado ontem ao final da tarde e depois de arremessá-lo deixei estar aonde havia pousado, pelo visto você o encontrou, e esta lhe permitindo novos voos.
-O senhor não vai querer... Atalhei rapidamente: Não, não o quero de volta, era só o que faltava, depois de tê-lo abandonado.
Estava alinhavando umas ideias e frases nesse papel que depois de achá-las sem importância modelei esse avião que agora esta em suas mãos, vá, continue a se alegrar, imprimindo-lhe novos voos.
Enquanto assim falava vi aquelas mãos jovens já calejadas a desfazer as dobras do papel e deter-se a ler o que anteriormente eu havia escrito.
-O senhor escreveu estas coisas? Enquanto assim falava se acocorou à minha frente, me olhando com os olhos num misto de incredulidade e admiração.
-O senhor escreveu coisas bonitas aqui, fez um brinquedo e jogou fora? E me estendeu o papel agora sem a forma de avião, mas com cada vinco denunciando o fato, acrescentando:
-Não jogue fora essas palavras tão bonitas, em um tom de respeitosa reprimenda.
Apanhei o papel que me esta estendendo e li o que havia no dia anterior escrito, ali esta anotado o texto feito por Salomão, quando diz que na vida tudo é ilusão. E que mesmo a vida é uma linda ilusão. Eclesisastes
No rodapé da página havia escrito uma frase dita outrora nada mais nada menos que Sir Winston Churchill em uma de suas muitas palestras feitas após o grande sacrifício da segunda guerra mundial respondendo a pergunta de “Onde começa uma família? "Ao que ele respondeu:
A família começa com um rapaz se apaixonando por uma moça – ainda não foi encontrada nenhuma alternativa melhor.”
Ao reler o que havia escrito reparei que o jovem rapaz me olhava com uma admiração estampada em seu rosto...
Perguntou-me de chofre:
-Me diga como fazer para ter essas ideias? E o que é a vida?
Expliquei que as ideias não eram originalmente minhas, as havia escrito de memória e que para ter essas ideias deveria ler muito e passar a prestar atenção nas mínimas coisas que acontecem a cada instante em nosso dia a dia e ao nosso redor. E acrescentei que a vida é um dom de Deus para cada um de nós.
Expliquei-lhe que ele era capaz de ter ideias criativas, e convidei-o a fazer justo agora um exercício, caminhasse para qualquer lado de onde estávamos prestando atenção em tudo àquilo que naquele espaço existia e que ele até então não havia observado com detalhe.
Levantou-se de um pulo, e começou a caminhar para nosso lado esquerdo, olhando avidamente para o chão, para os lados; a principio em passos lentos abaixou-se aqui e ali apanhando coisas do chão, olhando-as atentamente, depois o seu caminhar tomou  azos de dança e saltos alegres, em determinado momento iniciou a volta para onde estava eu. Agora vinha saltitante e alegre.
Ao chegar perto me perguntou se podia fazer o mesmo em outra direção, respondi: - Faça-o.
Agora ele foi para a direita, encontrou no caminhar com uma mãe que trazia a filha pela mão, vi que a menina estava estranhando a sua dança, deve ter lhe dito algo que provocara o sorriso tanto da criança como da mãe.
Demorou-se um pouco mais do que demorara quando fora para a esquerda, e ao voltar pediu desculpas por demorar tanto:
Obervei que não demorara tanto assim, apenas vinte e poucos minutos, somente um quinto de uma hora. Então, lhe perguntei o que você observou?
Disse ele muito alegre:
Vi pedras de várias cores; vi uma variedade de formigas de tamanhos e cores diferentes, percebi que o verde das plantas não é um só verde, tem variedade muito grande, ouvi alguns pássaros cantando pelo menos um só tinha um canto tristonho, Ah! Ali, apontou para o lado direito, vi como as crianças são bonitas e alegres... E lembrei-me de minha infância miserável de bens, mas alegre a correr atrás de borboletas coloridas, das pescarias que fazia em uma lagoa apanhando labaris de rabo vermelho que enriquecia nosso almoço pobre, lembrei-me neste caminhar da alegria de chapinhar na água da chuva, do futebol com meus colegas, jogado com bola de meias que nós mesmos fazíamos, lembrei-me do dia em que consegui ler por primeira vez uma palavra que não estava na cartilha, lembrei-me do rosto de minha mãe feliz por tal feito... acrescentou em um tom mais baixo: E eu que pensava que minha vida até aqui fora só de misérias; a essa altura pegou minha mão e quis beijá-la, o que não permiti.
Mas, me diga o senhor que me fez ver coisas tão simples e bonitas que nos cercam em tão pouco tempo, o que verdadeiramente é a vida afinal.
Depois de lembrar-lhe a frase de Sir Churchill que havia escrito no rodapé da nossa folha avião, que eu modelei novamente enquanto aguardava a caminhada e lhe disse:
A vida é uma vibração que nos foi dada por Deus quando nos soprou o fôlego da vida,(1) vibração que nos coloca em harmonia com a criação(2) e que nos acompanha do nascer ao morrer, quando essa vibração adquire a frequência da eternidade, para a felicidade e ou o tormento.
É essa vibração que quando jovens nos faz entrar em sintonia com uma moça, é essa vibração que nos acende o desejo, de vê-la sempre, é essa vibração no faz desejar tocar seus cabelos, admirar o brilho e a cor de seus olhos, e essa vibração que nos faz ouvir sua voz como se fora a voz de anjos, que nos impulsiona a tomá-la como esposa e companheira, são essas mesmas vibrações que agem sobre essa moça.
É essa vibração que nos impele para realizações pessoais, é essa vibração que nos faz ver as belezas do mundo que nos cerca, O sopro com que Deus nos animou isso é a vida, e eu acho interessante como lutamos para nos afastar dessa vibração desse sopro, na busca de outras experiências fora dos objetivos dos planos do criador, o afastamento desse sopro dessa vibração divina é que nos torna tal e qual os animais.
Isso é a vida, o dom de Deus, para agirmos, nos movendo no mundo de sua criação em harmonia com Seu plano.
O rapaz me fitou com um olhar profundo e demorado, depois, apanhou o avião de papel que havia remodelado, disse-me com uma voz calma e profunda:
-Deus lhe abençoe, e retirou-se cantarolando e lançando ao ar o avião de papel, já meio afastado, com o brinquedo na mão balançou-o para mim e disse:
-Muito obrigado por ele, até um dia se Deus quiser...
O despertador tocou e eu acordei repentinamente, ainda com a visão daquele jovem do que eu acho, meu sonho...
Deus tenha misericórdia de todos nós.
V.D.M.I.Ae.
(1) – Gênesis  2:7
(2) – Gênesis 1: 1-31