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sábado, 31 de março de 2012

Respeito á vida e amor a verdade, lições que não esquecemos.



Guilhermino M.de Paulo Filho
Desde muito cedo, lá pelos doze ou treze anos de idade , comecei a me dar conta das incongruências entre o que se fala e o que se vive.

Morava, no que então era periferia da cidade de São Paulo, Vila Aricanduva, na zona leste, do centro para chegar até ali, tínhamos uma viagem de bonde (dez centavos), de quase quarenta e cinco minutos. O bairro tinha muito verde, morava em frente à chácara do Pereira, então já abandonada.

Não entendia, como por outro lado nem hoje, sessenta órbitas, mais velho, entendo, que alguém doente, tenha que pagar, hospital, remédios etc., para ter sua saúde restaurada.

Meu velho pai, então funcionário da Central do Brasil, possuía o privilégio de não pagar transporte ferroviário, tanto assim que por me dê cá esta palha, íamos para Santos pela Estrada de Ferro Santos Jundiaí.
Muitas vezes fui apodado de sonhador, romântico, por não me conformar com essa cobrança pela saúde e pelos remédios, por estar a vida humana vinculada a valores financeiros.
Tive que adotar pelos menos duas vezes, uma atitude da qual não me orgulho hoje, mas que “in extremis habitum”, adotei:
Quando o meu pai, esse garboso militar ai em cima, em estado muito grave de saúde, em um hospital que tinha convênio, com a Central do Brasil, não quis recebê-lo sequer para o primeiro atendimento, fui mandado sair e procurar outro hospital, isso dito com um desprezo inconcebível...
Muito calmamente, olhei o individuo que me mandava sair, e fitando em seus olhos disse:
-Você tem tanto tempo de vida que o meu pai; estou saindo para procurar outro hospital, caso ele venha a falecer antes de qualquer atendimento, eu volto e você também vai morrer...  Até logo.    E saí.
Fui alcançado já no pátio de estacionamento por um homem e uma maca, apanharam meu pai e o levaram imediatamente para o hospital.
O médico que o atendeu, ficou preocupado, me chamou de lado e falou teu pai esta em um estado muito grave, vamos fazer de tudo para que ele melhore, mas me diga, se ele falecer?
Respondi ao preocupado médico, o rapaz da recepção esta com medo? Pois diga a ele que esse velho doente me ensinou, “nunca fale o que você não pretende cumprir” e eu aprendi isso muito bem, logo eu havia dito a ele que “se meu pai falecesse sem atendimento, ele iria fazer companhia nessa morte; e perguntei ao médico:
O Sr. Esta prestando atendimento a ele, pois não? Então diga ao indigitado que ele não tem mais nada a temer, a propósito, o que o levou a mudar de opinião e prestar o devido socorro a quem procura um hospital ?
E que ele fique a vontade para prestar uma queixa na polícia contra mim por ameaça de morte, que eu saberei me defender, inclusive com o seu depoimento sobre o estado de meu pai.
Não louvo ou apoio atitudes de violência ou de ameaças, mas é necessário e imprescindível, que diante de certos fatos e ou atitudes que, aqueles que se sentem e ou pensem ser autoridades, e em posição de cargo algo superior tentem impor ` á revelia do que deva ser amor ao próximo, respeito à vida,e a verdade, adotemos atitudes, fortes, retas e inflexíveis, na defesa desse necessário amor ao próximo, e a esse respeito à vida, e á verdade.
Esse garboso jovem da foto,em seus oitenta anos de vida, diante de muitas vicissitudes, ainda disse a mim: “Lastreia, meu filho sua vida na verdade, para que nunca você tenha que se curvar diante dos homens, pois isso só devemos fazer diante de Deus” , talvez uma das ultima lições faladas pois até sua morte, quando o anjo de Deus o recolheu durante o sono, nos dava e deu lições com suas atitudes e seu amor a palavra de Cristo,(a Verdade), a tal ponto de minha esposa, então budista, hoje cristã; ver nele inspiração para querer conhecer a esse Cristo, “que dá tanta segurança e serenidade a uma vida” segundo suas próprias palavras
Meu caro pai, hoje eu posso avaliar o quão importante foram tuas lições para minha caminhada, e reverenciar a tua memória neste registro de minhas memórias.

Possa Deus ter misericórdia de todos nós.

V.D.M.I.Ae.

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